A vez que o ROAS caiu e o cliente quase me demitiu

Emojis de preocupação saem do celular porque o ROAS caiu.

Como um audit de tagueamento revelou 40% de conversões fantasmas, e transformou o mês seguinte em recordes de vendas reais.

Vamos te contar uma história que termina bem.

Mas que, no meio, teve um momento em que o cliente nos ligou nervoso e precisamos explicar, com calma, porque a queda no ROAS era uma boa notícia.

Esse e-commerce, em questão, investia R$25k por mês em Meta Ads. Era uma operação razoavelmente estruturada com campanha rodando, criativos sendo testados, reuniões mensais de resultado. O time acompanhava o ROAS do painel e tomava as decisões de orçamento com base nisso.

Só que havia um detalhe que ninguém tinha parado para investigar: as vendas que o painel registrava não batiam com o que o ERP mostrava.

A divergência era explicada como “diferença de atribuição”, uma frase que virou muleta no marketing digital para encerrar qualquer conversa incômoda sobre dados que não fecham. A atribuição é complexa, os modelos são diferentes, é normal não bater exatamente. E a reunião segue.

O problema é que essa explicação encobre coisas que não têm nada a ver com atribuição.

O que encontramos quando investigamos

Quando fizemos o audit de tagueamento, a causa foi identificada em poucas horas: a tag de purchase estava disparando duas vezes para cada transação real.

O motivo era simples: o pixel do Meta tinha sido instalado manualmente no template do site em algum momento anterior, e o GTM também tinha uma tag de purchase configurada. Os dois disparavam juntos na página de confirmação de pedido. Para cada compra real, o Meta registrava dois eventos de conversão.

Esse tipo de configuração é mais comum do que parece. Sites que passaram por diferentes agências, diferentes desenvolvedores ou diferentes fases de crescimento costumam acumular camadas de tracking que nunca foram auditadas. Cada um fez a sua parte e ninguém olhou o conjunto.

Então, 40% das conversões registradas no painel eram eventos duplicados. O ROAS que o time acompanhava era, em boa medida, construído sobre dado fictício.

O que isso faz com o algoritmo

Aqui está a parte que mais incomoda quando você entende: o Meta usa os eventos de conversão para aprender. É com esse dado que ele constrói os lookalikes, calibra as estratégias de lance e decide para quem mostrar o anúncio.

Se você alimenta o algoritmo com 40% de conversões que nunca ocorreram, ele otimiza para um padrão de comportamento que não existe. O sistema passa a buscar usuários parecidos com um perfil que é parcialmente fictício.

O ROAS fica alto. Os custos parecem controlados. A operação parece funcionar. Porém o algoritmo está operando com um mapa errado, então você não tem como saber quanta performance real está sendo desperdiçada por causa disso.

A correção e o momento difícil

Corrigimos o GTM em três dias. Removemos a tag duplicada, validamos com o GTM Preview Mode, confirmamos que o evento disparava uma única vez por transação, publicamos a versão corrigida do container.

Sete dias depois, o ROAS do painel começou a cair.

O cliente percebeu e ligou. Queria saber o que tinha mudado. A leitura imediata era de que algo tinha piorado, a campanha estava “pior” do que antes.

Expliquei o que tinha acontecido: o ROAS não caiu porque a campanha piorou. O ROAS caiu porque o painel parou de contabilizar conversões que nunca existiram. O número atual refletia a realidade da operação. O número anterior era inflado por um erro técnico.

A queda no ROAS era a prova de que a correção tinha funcionado.

O que veio depois

No mês seguinte à correção, as vendas reais, medidas pelo ERP, não pelo painel do Meta, subiram 22%.

Com sinal limpo, o algoritmo começou a aprender com dado real. A otimização passou a acontecer de fato. O sistema encontrou os compradores que realmente compravam, não os que o modelo distorcido indicava.

22% de crescimento em vendas reais, em um mês, em uma operação que não tinha mudado criativo, verba ou estratégia. Só corrigiu o tracking.

O que esse caso me ensinou

Tem uma tendência no mercado de ir direto para o criativo ou para a estratégia quando a performance não evolui. Trocar peça, testar nova segmentação, mudar o objetivo de campanha.

Raramente alguém pergunta: o dado que está guiando essas decisões é confiável?

O criativo pode estar perfeito. A estratégia pode estar certa. Mas se o tracking está medindo errado, você está otimizando com um instrumento descalibrado. É como tentar afinar um instrumento usando um afinador quebrado, cada ajuste te leva mais longe do ponto certo.

O audit de tagueamento não é uma etapa glamourosa. Não aparece em nenhum case de criativo premiado. Mas é o que garante que tudo o mais funcione sobre dados reais.

O check que você pode fazer agora

Se você quer verificar se tem esse problema na sua operação, o caminho mais direto é:

Passo 1 | GTM Preview Mode:
Abrir o GTM no modo Preview. Navegar até o carrinho e completar uma compra teste. No Tag Assistant, verificar quantas vezes o evento de purchase aparece na lista de tags disparadas para a página de confirmação. Uma vez é o esperado. Duas vezes é o problema.

Passo 2 | Meta Events Manager:
No Meta Events Manager, comparar o volume de eventos de Purchase dos últimos 30 dias com o total de pedidos no ERP no mesmo período. Divergência acima de 15% sem explicação clara merece investigação.

Com 5 minutos de verificação. Potencial de descobrir meses de dado errado guiando decisões de orçamento.

Se o seu painel e o financeiro não batem, esse audit é o primeiro lugar para checar, antes de trocar criativo, aumentar verba ou mudar agência.

Agora que você conhece a nossa história sobre o ROAS, aproveite e leia também sobre o papel da Uaify no atendimento ao cliente premiado da IVECO.

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